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terça-feira, 31 de janeiro de 2017

o corpo


Resultado de imagem para corpo sensualo corpo é o doce do tato
o macho da fêmea
a clara da gema

o corpo é o início do gozo
o ócio, o ópio
o dolo

o corpo é o doce do tato
o ato que ata
com o corpo se mata
se morre

o corpo é o abrigo do porre.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

O tempo

Resultado de imagem para via lácteaNo começo não havia  o tempo e nada para contar.
Depois havia o tempo e ninguém pra vê-lo passar.
Então surgiu quem o contasse, mas não sabiam contar.
Logo aprenderam a contar, mas preferiram vê-lo passar.
Depois que o tempo passou, ainda havia pessoas para o recordar.
Assim o tempo acabou e sem tempo, sem nada, sem  ar.
Voltando ao início nonada,
sem ré, sem mi, sem lá.


terça-feira, 5 de novembro de 2013

vicia

O prazer do vício – Por Carolina Vila Novavodca, aguardente
cerveja, crack
cafeína

lança perfume, coca cola
facebook, sexo
cocaína

café, video game
tabaco, sangue humano
melanina

solidão, ilusão
maconha, açúcar
adrenalina

corante, expectorante
pôquer, apple
heroína

motorola, porntube,
cce, baralho
nicotina

icq, rpg
lg, youtube
menino novo e menina

filho, filha
twitter, redtube
tubaína

êxtase, religião
ateísmo, egoísmo
aspirina

lsd, crença
ceticismo, haxixe
subtramina

televisão, orkut
download, música
endorfina

anabolizante, acidulante
google, microsoft
caipirinha

futebol, samsung
poder, consumo
poesia

Perto do beijo

dentro do vento
caio
perdido nas nuvens raio

esquecido na história
saio
transformado, restaurado: balaio

colado na língua
ágil
solto meu desejo frágil

perto do beijo
distraio
dentro da boca desmaio

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Amor


Quero ter o teu amor
e os prazeres desta vida
ter da sua boca a goles
tua tez encanecida.

Tuas partes, todas elas,
sua voz doce, atrevida
sempre urgente e nas beiradas:
peitos, braços, coxas, nádegas.

Quero ver você, bem velha
Possuí-la em minha cama.
Vivo, morto, nesta terra
me libero ao que não cansa.

Quero beber no teu copo
teu espírito todinho,
numa noite de prazer
me apossar devagarinho.

Quero ser o que na vida
modifica os indícios.
Ser seu macho, seu capacho,
seu poeta, seu vinícius.

Toda vez que me olhar
quero que me desrespeite:
que me traia devagar
Num carnaval sem confetes.

Quero estar sozinho – e nunca
percebê-la acompanhada.
Quero que morra comigo
rumo ao inferno, rumo ao nada.

Toda tarde em minha casa
me abandone, escravizado.
Toda noite na tua casa
no portão, abandonado.
 
Quero ser aquelas flores
que te dei e jogou no lixo.
Perfumar o resto, a sobra,
o peixe podre, o ovo frito.

Quero estar na tua pele
totalmente tatuada.
Ser o sangue que em tu brotas
quando estás resignada.

Numa madrugada insone
te acordar com mil pedidos,
pra que mate a minha fome
de amor e de gemidos.

Feriados chegarão
e estarás no teu trabalho.
Chingarei o teu patrão,
me humilhará com teu salário.

Toda vez que no cinema
Com chiclete ou com pipoca:
sentaremos lado a lado
e na tela uma bosta.

Quero muito a sua pele,
sua saliva, seus, meus gritos.
Acordar a vizinhança,
ver vibrar o seu espírito.

De mãos dadas morreremos
Já velhinhos, eu espero.
Esculhambar os quadrados,
que se fodam os modernos.

Se no umbral nos encontrarmos
tente curar minhas chagas.
Nisso não haverá prazer:
só enxofre, fogo e nada.

Quero ser o seu capacho
seu poeta, seu vinícius.
quero estar eternizado
neste encontro de dois vícios.