sábado, 24 de outubro de 2026

O peixe não sabe que está na água (Ou, Porque o PT se distanciou de mim e não eu dele)

 

O ano de 2002 foi excepcional em minha vida. Não foi o ano que mudou tudo; sempre há algo, em diferentes momentos, que se apresenta como especial. Mas digo que foi assim porque, após quatro anos sem estudar o que se considera uma “educação formal”, iniciei minha graduação em Letras.

Eu me sentia o maior homem do mundo. Em outro momento, falarei da época anterior à minha primeira graduação. Faria outras duas depois dessa, além das especializações. Cursar Letras foi um sonho de infância, o único curso que quis fazer quando descobri que existiam universidades.

Muita água passou por baixo da ponte, muita areia caiu da ampulheta, mas aquela primeira faculdade foi especial.

Totalmente presencial com campus e tudo, verdadeira velha guarda.

Eu era jovem, inexperiente, tinha amigos de infância ainda por perto, e todos lutávamos por ideais e uma colocação profissional.

Muita coisa aconteceu e mudou minhas relações com meus amigos, mas falando do sentimento que tinha à época: me sentia parte de um grupo, uma pessoa estúpida próxima a pessoas geniais. Era o mais ignorante de todos. Aprendia, aprendia, aprendia, aprendia muito. Escutava todas as conversas, quase não falava. Aprendia. Sim, vou repetir: aprendia muito.

Se um livro era indicado por qualquer um dos meus amigos, eu corria a à biblioteca para ler, elas ainda existiam. A leitura puxava outros autores e, assim, consegui ler, não vou dizer tudo, mas li muito Dostoiévski, Machado de Assis, Luís Fernando Veríssimo, Millôr Fernandes, Eça de Queirós, Balzac, Dickens, muitos mais e livros cultuados como A Revolução dos Bichos, Admirável mundo novo, 1984, Em Busca do Tempo Perdido, As vinhas da ira, Esperando Godot. Aos poucos, fui me tornando a pessoa que sou, à medida que buscava ler mais e mais.

Não me envergonho em dizer que invejava meus amigos. Era uma inveja das coisas boas. Nunca pensei que não merecessem o que tinham; eu apenas queria ter também. Um deles sabia inglês e foi morar na Europa. Outro sabia se comunicar grandiosamente e foi trabalhar como vendedor em uma loja de artigos musicais, fez carreira. Um terceiro tinha dons de liderança e organizou, junto ao Movimento Negro, representado por uma entidade não governamental, um cursinho comunitário voltado para afrodescendentes e pessoas carentes sem condições de pagar por um cursinho pré-vestibular.

O caso é que esse cursinho chegou tarde para mim, que era mais do que carente. Eu já havia iniciado minha graduação em uma universidade particular e, como era fã dos meus amigos, aceitei dar voluntariamente aula no cursinho comunitário. A minha ideia era dividir um pouco do que eu estava aprendendo, ajudar as pessoas a conseguir o que eu não tive – uma graduação em universidade pública – e ganhar experiência como professor, o que me ajudaria quando, enfim, começasse a dar aulas para ganhar a vida.

O eu de hoje veria com estranheza o fato de meu amigo, dirigente do cursinho comunitário para pessoas negras e carentes, não ser nem negro nem carente. Era japonês e conseguiria pagar pelo cursinho se quisesse.

Não queria.

Depois de tantos anos, relembro tudo com nostalgia. Tinha muito da inocência da máxima: aos vinte, todo mundo é comunista porque tem coração; aos trinta, só é comunista quem não tem cérebro. Aos trinta, eu já não era comunista. Nunca me declarei como tal, mas era aquilo: de tanto ler, tudo o que nos cercava — e o que me cercava eram os escritores de esquerda —, eu nem sabia que era possível ler outra coisa.

O peixe não sabe que está na água. Eu era um peixe num aquário de livros vermelhos. (Não me refiro à grande literatura citada parágrafos acima, me refiro a textos políticos e acadêmicos que chegavam a mim).

E foi assim que tomei contato com o Partido dos Trabalhadores.

Eu, que fui trabalhador de fábrica por mais de sete anos, me inseri no universo da política partidária ainda na época da fábrica, mas longe dela, em um cursinho para afrodescendentes e pobres.

Um dos professores do cursinho comunitário era filiado ao partido e reunia, em sua casa, a maior biblioteca particular com a qual eu já tivera contato. Hoje, depois de velho, vejo com estranheza e desconfiança um adulto quarentão cercado de adolescentes. Mas, naquele tempo, ainda jovem, eu o admirava e via nele um tutor. Ele era professor, e eu estava estudando para ser professor.

E funcionou.

Aprendi a dar aulas sendo professor de cursinho, experiência que me ajudou muito depois que assumi minhas turmas em uma escola pública estadual. Não teria conseguido sem o serviço voluntário que me predispus a fazer.

Foi então que chegou até mim um livreto com o estatuto do Partido dos Trabalhadores. Apaixonei-me pela ideia. Até aquele momento, eu pensava no PT como uma experiência sindical. Havia lido muito sobre a figura de Lula e as greves do ABC, mas, ao entrar em contato com aquele livreto, percebi que se tratava de uma organização preparada para acolher pessoas e muito bem-organizada. Havia a previsão de grupos de estudo, grupos de minorias e decisões tomadas em assembleias. Nenhum candidato iria a um pleito sem antes ser aprovado em prévias realizadas após assembleias, por exemplo.

Estava tudo lá.

Não havia, aos meus olhos, indícios de corrupção. Era um partido com um estrito código de ética. Qualquer indício de irregularidade deveria ser investigado; os responsáveis, punidos, expulsos e denunciados. Era o ano da eleição vitoriosa de Lula, e lembro bem da primeira reunião de que participei após minha filiação, reunião de organização da futura campanha.

Um dos companheiros falou sobre financiamento e disse que começariam a pagar os filiados e a contratar pessoas para panfletar. Um dos presentes se revoltou, argumentando que aquilo não era bom. Lembro-me da discussão como se fosse hoje:

— Nós nunca pagamos. É errado.

— Mas agora temos dinheiro, podemos pagar.

— Isso é errado.

— Vai ter o dinheiro do fundo de campanha. Vamos pra cima e, desta vez, vamos ganhar a eleição.

E ganharam.

O resto é história.

Sem perceber, eu acabava de presenciar o fim do Partido dos Trabalhadores como o conhecíamos.

Pagar para panfletar significava que o PT — um partido diferente, que tinha em seus quadros figuras históricas e só filiava por indicação — começava a mudar. Pagar para fazer campanha, em termos superficiais, significava dizer que, no mínimo, era um partido igual aos outros. No fundo, se mostrou pior.

O partido ideológico deixava de ser ideológico para seus filiados mais humildes. Digo isso porque sei hoje, após mais de vinte anos, que talvez nunca tenha sido puramente ideológico para aqueles que compunham sua cúpula: pessoas que fumavam charutos cubanos, passavam férias na Europa, bebiam cerveja importada e andavam de carro do ano — às vezes alugado em nome do partido, para não dar muito na cara —, até que, em determinado momento, perderam toda a vergonha e a decência. Falo porque vi e quem estava comigo viu também.

Minhas críticas nem tinham chegado tão longe. Em uma conversa com o professor amigo que me motivara a filiação, comecei a criticar o governo. Sequer tocara no assunto corrupção; questionava apenas o rumo que as coisas estavam tomando. Podia criticar. Estava no estatuto.

O amigo disse que eu não podia criticar porque precisávamos mostrar unidade.

Mais tarde, ao elaborar uma crítica mais forte e usar uma expressão de que já não me lembro, fui alertado de que havia sido ‘politicamente incorreto’. Foi a primeira vez que me acusaram de sê-lo. Não seria a última.

Um caldo de moralismo e perseguição de ideias começou a se espalhar pelo debate político de então. Lula venceu. Eu me tornara professor. Cada um dos meus amigos seguiu seu caminho, e eu tinha minhas turmas. Continuava sendo alertado pelo meu, agora colega professor, de que precisava tomar cuidado com o debate.

— Não podemos enfraquecer a luta.

Que luta?

A minha?

De quem?

E fui observando que havia cada vez menos trabalhadores nas decisões dos trabalhadores.

Quando Lula se autodeclarou candidato à reeleição, perguntei se não haveria prévias.

— Como assim, prévias? Lula é nosso líder.

Quatro anos depois, ele indicou Dilma Rousseff como sua candidata, sem prévias, unilateralmente. Eu havia lido o estatuto. Estava lá: a indicação de candidatos a cargos deveria passar pelo crivo das assembleias. A escolha unilateral, a meu ver, era uma decisão equivocada, para dizer o mínimo. Feria o estatuto. Havia a questão de que dois terços do diretório nacional poderiam indicar o candidato sem a necessidade de prévias para o cargo de presidente da República, mas todos sabiam que não era uma indicação do diretório nacional, mas do líder máximo do partido.

E foi assim que o PT foi se transformando no que é hoje: um partido que não conversa com as pessoas. Sem assembleias, sem debates.

E sem debates dificilmente surgem novas lideranças. Como, de fato, não surgiram.

Desde a ágora grega, as pessoas se reúnem em espaços públicos para decidir o que há de melhor e de pior entre as escolhas. Ideias surgem, pessoas surgem.

O debate afina e desafina as pessoas, como nunca disse Guimarães Rosa.

E sabe quem propõe debate? Acho que vocês sabem.

É impressionante que, após a inserção de mais disciplinas de humanas no currículo escolar, o nível do debate entre os jovens tenha ido ao chão.

Não é o principal motivo, mas é um dos que aponto: quando todos se sentam ao redor de uma mesa para concordar entre si, ninguém aprende nada. Ninguém melhora, ninguém evolui.

E pasmem! É exatamente o oposto do que era proposto — ou é, nem sei mais, faz tempo que não leio nada ligado ao Partido dos Trabalhadores —, exatamente o oposto do que propõe o estatuto. O material que li era um convite ao debate, à inclusão a todos. Debater pressupõe o embate de ideias diferentes.

Quando entrava nos debates dos grupos de que participava, era execrado por questionar ideias tidas como dogmas; quando apontava esse pensamento dogmático, diziam que eu precisava ter cuidado com a minha forma de pensar.

Pois bem, sou professor de Língua Portuguesa e, portanto, também ensino redação. Do meu “local de fala” digo que não é possível redigir um texto de qualidade sem se abrir a novas ideias, sem o embate, sem questionamentos.

Existem lugares onde o debate não é fomentado, ambientes pouco democráticos, pautados pela obediência. Jamais imaginei que seria tão oprimido por levantar divergências em universidades, núcleos de debates políticos, companhias de teatro e fóruns de internet.

Fui difamado e ofendido dentro da Universidade Federal de São Paulo pelo simples fato de não concordar com algumas ideias de colegas de turma — e nem eram ideias políticas. Eu era um ex-trabalhador de chão de fábrica agora professor e tinha de ouvir de um menino de 20 anos de idade que nunca tinha comprado o próprio papel higiênico, o que ansiava a classe trabalhadora. Segundo pessoas assim, eu não sei o que quero; quem sabe são eles.

Aprendi com meus amigos o quão gostoso é um debate em que todo mundo levanta a voz e sai depois pra tomar uma cerveja, ou bebe ainda durante a prosa. Em uma greve na universidade houve mesmo agressão a “dissidentes”.

E olha que nem estou falando de corrupção, que se tornou endêmica e de impossível defesa. Seria assunto para outra crônica, já escrita por milhares de pessoas.

Estou dando voltas em meu texto, como é comum ao meu estilo, para dizer algo simples: hoje, há debate em todo lugar, mas não nos núcleos de debate do Partido dos Trabalhadores. Não com ideias diferentes, antagonicamente diferentes.

Vão dizer que estou mentindo, que estou sendo raso, incompleto, impreciso, direitista, fascista, preconceituoso, aliado da direita, traidor, pobre de direita. Quando, na verdade, o que faço, com a maior humildade do mundo, é questionar. Posso estar errado, me mostrem onde estou. Debatam comigo, debatam minhas ideias, não me chamem de fascista apenas por questionar o que se apresenta como alternativa única. Ensinem-me o que não sei, mas valorizem a minha história, porque não foi lendo gibi do Recruta Zero que cheguei até aqui.

É o que os professores fazem: estudam, aprendem e, por aprender, ensinam.

Nunca parei de estudar e, por conseguinte, tornei-me o homem que admiro. Nem sei mais por onde andam alguns dos personagens do início desta crônica. Outros, trouxe comigo pela vida, e tenho muito orgulho disso.

Acontece que, ao longo da minha história, fui mudando e me aprimorando, mas continuei com o mesmo ideal da juventude: o ideal de justiça social. Política, para mim, tem a ver com tornar a vida das pessoas melhor, aliar-se a boas ideias e combater comportamentos prejudiciais. Tem a ver com ler o mundo nos livros, escutá-lo nas canções, assisti-lo nas telas, comparar, mudar e transformá-lo para melhor.

Mas, francamente, como defender um partido dos trabalhadores composto por pessoas que nunca tiveram um dia de trabalho na vida, sem um único registro em carteira?

Recorri ao meu partido e, depois de algum tempo, já não me identificava com ele. Não era mais dos trabalhadores. E tudo bem. Só não digam que estou errado em procurar os meus pares: trabalhadores das fábricas, como eu fui; gente que acorda às quatro da manhã, pega o ônibus lotado e, na hora do almoço, vai comer e descobre que a marmita azedou. Este é um local de fala legítimo e deve ser valorizado.

 Temos então o PEUBPPQCSGPSPP. O partido dos estudantes universitários bancados pelos pais, que criticam seus genitores por suas posições políticas, prova de que não há diálogo também em casa. (Estou exagerando, mas vá lá, só um aforismo, permitam-me!)

O próprio PT sofreu seus cismas, dando origem aos caricatos PCO, PSTU e Psol.

Pelo visto, não fui apenas eu que não fui acolhido.

Mano Brown disse que o PT se afastou da base. À minha maneira, digo a mesma coisa. E culpar Bolsonaro ou o papa pelos próprios erros não construirá um país melhor.

É preciso coerência.

(Oi, Rui Pimenta, como você está?)

É preciso modernizar. Não recorrer a velhos expedientes. Ninguém mais acredita que o fim do capitalismo seja a solução para o fim da pobreza. É possível declarar isso em palestras, escrever em livros, falar a respeito e defender esse ponto de vista em debates.

Ainda há pessoas defendendo o fim do capital, a queda do sistema, o colapso da antiga ordem. E sabe por quê? Porque é bonito. Porque é fácil de entender. Porque fala ao coração. Porque empolga.

Em um livro, em um filme ou em uma canção, falar mal do livre mercado é lindo. Serve como slogan. Mas é inegável, a meu ver, que os benefícios materiais que conquistamos vieram da ampliação do livre mercado. Quanto mais livre, melhor. Só não enxerga quem não quer, quem não consegue ver ou quem ganha alguma coisa com isso.

Tanto que milhões de pessoas se arriscam todos os anos ao fugir de países de economias planificadas, buscando um futuro melhor em países com economias de livre mercado, como os Estados Unidos e a Austrália. Não há fuga de cérebros pra Cuba e Coreia do Norte.

Os movimentos sindicais foram e são essenciais para o mundo. Sem eles, ainda haveria crianças limpando chaminés, agarradas pelos pés; jornadas de trabalho de mais de doze horas diárias, sem fins de semana, sem férias. Mas convenhamos: o sonho de um jovem do meu tempo não era derrubar o capital. Era conseguir um emprego na Ford, na Scania, em algum laboratório farmacêutico famoso. E sabe por quê? Porque, quando temos um bom emprego, a vida melhora.

Quando temos um bom emprego, compramos mais. Buscamos um bairro melhor para viver ou reformamos a casa em que moramos. Podemos pagar aluguel em um lugar mais caro, comprar doces, um carro, contratar serviços, viajar. Um emprego melhor nos permite guardar dinheiro e, depois de algum tempo, investir e gerar empregos proporcionando a outras pessoas o mesmo que nos foi proporcionado.

A parca industrialização brasileira nos deu um pequeno vislumbre disso no fim dos anos 1990 e início dos anos 2000, em um contexto favorecido pelos efeitos do Plano Real e pelo boom das commodities.

É por isso que os tiozinhos votam em Bolsonaro e as tiazinhas se dizem de direita. São pessoas que viveram numa época em que as escolas ainda tinham certa organização e autoridade e que relacionam essas características à prosperidade. Colocam tudo no mesmo balaio porque assim é mais fácil entender e explicar o mundo.

A isso se somam a utilização maciça da internet e das redes sociais, além da influência das igrejas evangélicas, pentecostais ou não.

O Brasil do PT ainda discute em diretórios acadêmicos sem convidar para o debate a menina de vestido longo, trança nos cabelos e Bíblia na bolsa. E deixa esses espaços tão pichados e sujos que acaba afastando a menina das tais más companhias que seu pai apontara: maconheiros, identitários etc.

Todos têm o direito de ser como são, mas muitos desses ambientes parecem não fazer a mínima questão de agregar diferentes formas de pensar.

E sabe onde essa menina vai socializar? Na igreja, sob a orientação do pastor. Às vezes, um cara bem-educado; na maioria das vezes, um total idiota, tão ou mais idiota quanto o maconheiro do diretório acadêmico.

Acontece que o sujeito do diretório não reconhece o prestígio social do pastor, e o pastor não reconhece o prestígio social do presidente maconheiro do diretório. E sabe o que acontece? Vinte anos depois, temos milhares de pastores com dezenas de milhares de seguidores, igrejas surgindo, desaparecendo, unindo-se e elegendo pessoas novas. Igrejas formando, pasmem, politicamente as pessoas.

E temos o diretório no mesmo lugar. Assim como o Partido dos Trabalhadores, permanece tomado pela pauta identitária, pauta na qual, a meu ver, nem mesmo seus líderes históricos acreditam. Defendem-na porque se apegam a ela como bastião de força e poder. Defendem-na porque não há ali trabalhadores, há muita juventude e idealismo adolescente direcionados à própria identidade.

Não venham me dizer que Lula acredita que uma pessoa trans e uma mulher sejam a mesma coisa. Ele vai dizer que sim. Vocês sabem, eu sei, todos sabem que ele pensa que não. E isso vale para esse e tantos outros temas.

Porque Lula é como nós, brasileiros: conservador.

Mas, como todo brasileiro, também gosta de dinheiro e poder. Você também, leitor brasileiro. Todos nesta terra tupiniquim gostam de ter um vereador amigo, conhecer o dono de uma fábrica, uma pessoa poderosa, encontrar alguém que tenha uma lancha e que nos leve para navegar em Ilhabela.

Já levou? Não. Mas o que importa é conhecer, ter influência, ficar próximo ao poder.

Criticamos Janja, mas somos iguais a ela. Quem de nós, tendo um cartão corporativo com saldo infinito, se hospedaria num albergue em nome da saúde do erário público?

Talvez um ou outro. Eu, quem sabe. Mas, com sinceridade: nenhum luxozinho? Em nenhum momento? Tanto poder e não poder utilizar?

Enfim, estou me estendendo demais. Sei que não serei lido por nenhum militante de esquerda; quiçá nem pelos de direita. Talvez nem pelos meus amigos. Com certeza, não serei lido pelo professor que foi meu tutor no início da docência.

Ele foi um grande norte para mim quando comecei a trabalhar com o saber. Segui suas orientações e me tornei um grande professor. Melhor que ele, ouso dizer sem nenhuma humildade. Tenho muito orgulho da história que construí na educação. E sobre essa história não quero escrever apenas uma crônica. Talvez um livro.

Em outro momento.

Ao PT, resta mais do que voltar à base, como disse Brown. É preciso seguir urgentemente o próprio estatuto, a cartilha de filiação que li em julho de 2002.

Se quiserem, e estiverem sem acesso à Internet, ainda tenho uma cópia. Como souvenir. Sou um saudosista.