sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Amor, No e Star wars

        
           Demorei, mas terminei de assistir à lista dos filmes indicados ao Oscar 2013. 
          Não que ser indicado ao Oscar seja um pré requisito para a qualidade de um filme, mas me permiti este pequeno Everest a escalar. 
          Posso não assistir à entrega do prêmio mais chato da indústria cinematográfica em paz.  
       Claro que não assistirei, hoje em dia a tecnologia me permite ver tudo no dia seguinte, sem precisar varar a noite para que às duas horas da manhã se revele a melhor atriz. "Às duas horas da manhã toda mulher é uma melhor atriz."
          Engraçado notar que antigamente eram cinco os indicados, hoje eles perceberam que alguns idiotas fazem o que este idiota aqui fez: gasta seus mirrados centavos pra assistir aos indicados.
          Permitam uma pequena correção na afirmação acima: nem fui tão idiota, me diverti muito assistindo aos nove indicados (isso mesmo, pra quem não sabia, saiba agora, aumentaram bem a lista, mas os indicados já foram cinco e foram dez). 
          Outra correção é que não gastei centavos, gastei reais inteiros. E nem me perguntem o modo como consegui assistir a alguns títulos antes dos mesmos serem lançados no Brasil. (Não, não viajei para os Estados Unidos pra ver cinema, sim, utilizei métodos ilegais, mas perdi algum dinheiro com isso, o que saiu mais barato que assistir honestamente).
          Antes de entrar especificamente no mérito de cada filme gostaria de explicar o motivo que me levou a assisti-los: tirando o fato de eu ser um cinéfilo louco, na realidade um apaixonado por boa ficção e um pouco de arte, não sou nenhum quadradão, porém fico triste com lançamentos do tipo "final feliz - dublagem  - pipoca - coca cola - lanche feliz"; é o que se encontra, tanto nas salas de cinema perto da minha casa, quantos nas mais distantes. 
          O público de cinema do Brasil mudou, o 3D veio tentar mobilizar as pessoas da inatividade, causar alguma emoção às retinas mortas, assassinadas por hordas e mais hordas de filmes explosivos: duros de matar (e de engolir), avatares, Titanics que afundaram o bom gosto e os roteiros de qualidade.
             Recomendo um filme chamado "Idiocracy" que descreve bem a nossa distopia.
          Portanto, passei oito meses sem assistir a filme algum. Lia, estudava, assistia à teatro, via uma ou outra série de TV e me mantive longe de longa metragens. Não por desinteresse ou desgosto, mas por falta de títulos de qualidade. 
          Percebi que havia um problema muito sério quando o único filme que me interessava da lista  em cartaz era "Os mercenários II" do Stallone. 
          O divertido em afirmar isso é que fã de cinema é como torcedor de futebol, vai dizer que estou falando heresias, que esqueço este ou aquele filme, apontar produções de qualidade ao longo de todo o ano de 2012, mas pouco me importa o que pensam os cinéfilos. Este cinéfilo aqui ficou de saco cheio de roteiros mal feitos, salas com filmes dublados e filas enormes inclusive no auto atendimento.
          Calma crianças, não sou tão ranzinza assim. Gosto de filmes pirotécnicos, mas odiei o último Batman do Nolan (faltou um coringa, pena), detestei o reset do do Homem aranha (paguei por um deja vu), gostei muito de "Os vingadores" (por ser fã de quadrinhos, porque o roteiro é mais vazio que a cabeça da Paris Hilton). 
          Deixei pra trás o tempo em que acreditava que era necessário assistir a tudo, se vi a todos os indicados a melhor filme do Oscar, foi mais por sede de qualidade que por cinefilia. Me permito agora poucas filias... prefiro ser um bibliófilo.
          O futuro me possibilitou coisas do tipo, o filme mais legal que assisti ano passado foi um canadense  chamado "Incêndios" dirigido por Denis Villeneuve, era um filme de 2010. 
          Não é como nos idos anos 80 em que ao perder o filme no cinema poderia assisti-lo apenas um ano depois em VHS e dois ou mais  na TV. E se perdesse era só esperar passar de novo. Lembro que a minha escola dispensou os alunos da aula noturna quando o SBT passou em TV aberta a "Lista de Schindler" do Spielberg. Coisas do passado. 
          Com todas as comodidades dos anos dois mil, não vou perder meu tempo e meu suado dinheiro assistindo a filmes de tão baixa qualidade se posso ligar o computador e ver pela internet toda a coleção de filmes da história do cinema.
          Mas e a experiência de entrar na sala escura, concentrar-se, ter uma luz propícia, a experiência coletiva?
          Fica para os momentos certos. Eu costumo assistir a muitos filmes, poderia ver muitos mais se não precisasse pagar estacionamento, ingresso (que está um absurdo, a meia custando inteira), gasolina, tempo, congestionamento, stress, (não serei tão burguesinho e elencar aqui a violência, embora seja um dos pontos a ser levantados). 
          Na minha casa eu posso viver a minha experiência cinematográfica, que não é a mesma da sala pública, mas que é a minha: silenciosa, voltando trechos, sem legendas, sem dublagens, reassistindo, no horário da novela da globo, depois do jantar. Qualquer tela de TV propicia uma experiência cinematográfica melhor que as que meu pai teve assistindo "Star wars" no cinema.
              Foi assim que vi os indicados. Metade deles assisti no cinema, não farei distinção aqui. Apenas um breve relato pessoal da minha trajetória por nove produções:
          Comecei com "A vida de Pi" do Ang Lee. Filme que me causou profunda emoção, não pela fotografia maravilhosa, efeitos especiais sensacionais, mas pelo roteiro abordando questões religiosas e filosóficas que me são caras e pertinentes. Deu vontade de ler o livro e pensei que não precisava assistir aos próximos, já tinha o vitorioso. O filme do tigre era o melhor com certeza.
          Depois assisti ao "Amor" de Michael Haneke. Fiquei inquieto e como tenho medo de envelhecer e mais medo ainda de morrer me angustiei com aquele casal preso naquele apartamento. Lar que deve ter lhes dado muita alegria, mas que claustrofobicamente me fazia querer parar de assistir. A atriz que faz a senhorinha (Emmanuelle Riva) foi indicada a melhor atriz, mas é o marido (Jean-Louis Trintignan) o grande ator do filme. Adorei. Não quero vê-lo nunca mais. Me deixou triste, Recomendo a todos.
          Depois assisti ao "Argo" do Ben Affleck. Confesso que fui sem vontade, Há muito que o filme estava em cartaz e eu o ignorava, Mas como estava na lista corri assisti-lo. Descobri o meu favorito ao Oscar. Não pelo roteiro, que é simples. Nem pelo Affleck que está apenas contido como ator (o que exigia o papel), mas é um filme que impacta pela construção. O teatro é o espaço do ator, o cinema é o do diretor e percebemos a mão do Ben Affleck em cada centímetro de fita. Humor, suspense, tensão, crítica à própria indústria do cinema. O que me incomodou foi o final com cenas da realidade pra mostrar o trabalho de pesquisa da produção, mas eu estava tão satisfeito pelo ótimo momento que nem me importei. me senti assistindo um Hitchcock.
        
           Tendo escolhido meu vencedor caminhei  com mais vagar pelos filmes. Tinha largado o Pi pra lá, sabia que um francês não ganharia àquela altura. Decidi assistir ao "Adorável sonhadora". Filme excelente, pensei que seria difícil, mas tem um enredo ágil, diferente, com uma protagonista que causa assombro por sua interpretação que não podem estragar concedendo a ela o Oscar. Vide o que fizeram com a moça do "Lua de papel".
          Assisti ao "Django" do Tarantino com toda a pompa que merece. Duas cenas valem o filme: um negro chicoteando um branco e os membros da KKK sem conseguir enxergar através dos capuzes. Nunca tinha pensado nisso, mas como é que eles não caem  sem conseguir ver por aquele negócio pontiagudo. O grande defeito deste filme foi ter ido longe demais. Odeio filmes que acabam e se arrastam por mais meia hora. Mas o Tarantino acha que pode, e o pior é que pode mesmo.
          "Os miseráveis" é um musical bacana, mas odeio musicais em que tudo é cantado, pelo menos ir ao banheiro poderia ser sem notas musicais. Questão de gosto,  como diria o popular "cada um tem o seu". Bonitinho o filme e só.
          Assisti ao "Lincoln" por obrigação. Se ganhar vou ficar chateado. Filme chato. Monólogo do presidente que é endeusado e posto de perfil ao extremo. nem o Day Lewis deveria ganhar o oscar de melhor ator, mas que se há de fazer, um ano é a dama de ferro dos britânicos, no outro o lorde de aço dos americanos. chato.
          Fui ao "Lado bom da vida" esperando a renovação das comédias românticas e o que vi foi mais do mesmo. Filme normal que será esquecido, Apesar de o Robert de Niro em ótima forma.
          Terminei minha viagem pelos indicados com "A hora mais escura". Filme que conversou com outro que assisti no mesmo dia e que foi indicado a melhor filme estrangeiro "No". 
        Ambos falam sobre eventos que foram utilizados politicamente por líderes de seus países como alavanca para o poder; no caso do "A hora mais escura" o assassinato de Bin Laden e de "No" o plebiscito chileno que encerrou com o período ditatorial daquele país. Ambos apresentam os protagonistas das ações cumprindo objetivamente seu papel e no fim caindo no ostracismo, Deixando para a história seu trabalho e os líderes populares se apropriando dos frutos da obra. 
        
         Talvez "Argo" não vença, mas é o melhor filme. Mas aceitaria se o vencedor fosse a "A hora mais escura". qualquer um, menos o Lincoln, que é o filme que se eu tivesse que apostar dinheiro poria meus trocados.
          Mas cinema é mais que prêmios, há filmes que nunca ninguém assiste e doem de tão bons, como o brasileiro "A febre do rato". (Espetacular). Mas que ninguém viu na telona: cinema de qualidade, pra se ver em casa.
          

Drops Rock 15 - Trairagem no Rock: Segunda Parte



Depois de ver e ouvir esse drops, desliga o computador e vai fazer a revolução...

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Bolhas de sabão, by Fábio Sant'Anna


Breve e grandioso momento lírico em meio às turbulências cotidianas...

Bento XVI, Cosme Velho e narcotráfico

    
      Não tenho opiniões firmes a respeito de minha espiritualidade. Mas tenho algumas posições muito mais que liberais sobre as religiões. 
     Acredito que todas as igrejas são objetivas no que fazem de melhor: promover a obscuridade. 
     Mas também sei que todas são muito coerentes. Gosto disso nelas, me fazem permanecer distante da maioria. 
      Mas permitam-me ser mais claro.
     Discordo quando as correntes GLBTs colocam na pauta questões como a mudança nos dogmas da igreja católica, buscando promover o que se convencionou chamar de "casamento gay", aceitação de uso de camisinha, e coisas do tipo.
     Isto apenas comprova o quão distantes estão de questões pertinentes e verdadeiras. 
     A milhas do real problema.
     A Igreja Católica não tem que aceitar o casamento gay, não tem que promover o uso de camisinha, não tem que nada. Isso é papel do Estado.
     E nem temos que aceitar isso, quanto mais as pessoas se aproximarem de conceitos científicos, técnicos e acadêmicos; menos aceitarão o que pastores, rabinos ou padres pregam sem conhecimento nenhum dos mecanismos que fazem o mundo girar.
     O problema não é a Igreja (ou igrejas) que em alguns momentos cumprem até o papel do Estado quando  este falha, o grande problema é justamente a falha deste Estado. 
     Farei uma comparação horrível, me perdoem os religiosos leitores, ou não, cada um com seus problemas: nas grandes favelas metropolitanas onde faltam equipamentos públicos: segurança, educação, rede de esgoto, limpeza, etc. Onde falta tudo isso sobram intervenções outras como: iniciativas por moradia em invasões de encostas, segurança feita pelo narcotráfico, esgoto lançado em rios e córregos, educação formal trocada pela formação religiosa, programas culturais trocados por passeios com a família à igrejas.
     Sim, comparo a intervenção religiosa na educação à intervenção do narcotráfico na segurança. Aí está o ponto crucial do problema: o fracasso do Estado.
     Imbecis são os que lutam para mudar a igreja, deveriam lutar para melhorar a República, que significa "coisa pública" e é laica, que significa dizer que não deve ter a intervenção de nenhuma religião. Nem católica, nem evangélica, nem budista, nem cientologista, nem nada.
     A Igreja Católica é uma instituição conservadora e faz parte do jogo não aceitarem questões cruciais para a sociedade moderna. 
     Ela é conservadora, por isso que eu não vou lá, não concordo com o que dizem, por isso não repito como verdades.
     Deve fazer um bem danado ao ego das idiotas do grupo Femen mostrarem os peitos na Praça de São Pedro dizendo que o Papa é homofóbico. Ora, se assim acreditam, basta não irem à igreja. 
     E eu sei que a coisa não é tão simples assim, mas se fortalecemos o poder do Estado com educação e todas as prerrogativas que vêm com isto, cada vez menos pessoas acreditarão em amigos imaginários pregados por religiosos mal intencionados. Buscando poder, dinheiro, canais de TV, almas para o seu céu particular.
     Acredito em espiritualidade e tenho uma formação católica, assim como 95% dos brasileiros, mesmo os que se dizem evangélicos, ou sei lá, hare krishnas, todos nós desta imensa amálgama chamada Brasil e que come peixe na Sexta-feira Santa e chocolate na Páscoa, acreditando que isso é seguir os preceitos do Papa.
     Estudando poucos livros sobre o catolicismo, não muitos, poucos. Aprenderíamos que os católicos são contra o sexo antes do casamento e que o relacionamento sexual pra Igreja serve apenas para a procriação, o fruto deste relacionamento nasce com algo chamado de "pecado original", daí o batismo para purificar deste pecado.
     Sexo homossexual não gera filhos, daí sua proibição. A igreja católica é contra o prazer. Quer ser católico? Problema seu, ou sorte sua. Mas vai ler primeiro a respeito.
      Quer ser evangélico? Faça o mesmo. Assim como qualquer outro sistema de crenças.
     Buscar que o Papa mude algo de foro tão particular para sua Igreja é querer que ele transforme sua religião em outra, se você quer que a religião seja outra, mude de religião. É o que fazem os brasileiros mudando para o protestantismo, o que para mim é outro erro, erro maior que permanecer no catolicismo. 
     Digo sem medo de errar que, no Brasil, os católicos são mais liberais que os evangélicos. Embora ambos sejam o que toda religião é: retrógrada. 
     O problema não é discutir religião, mas a intervenção destas no papel do Estado, impedindo que políticas públicas sensatas e de acordo com nosso tempo sejam postas em prática. Esses religiosos, não as religiões, se elegem vereadores, deputados, senadores e não trabalham para o povo, tal qual diz a constituição de nosso país que como já disse, é laico. Trabalham para o conservadorismo próprio da instituição religiosa que defende. Ou para interesses pessoais, essa é a verdade.
     Pouco me importa se você acredita ou não no pecado original, pessoas transam e contraem o vírus da Aids, portanto, é necessária uma política pública que atenda a esta demanda, caso contrário nos transformaríamos num país de "aidéticos" com todo o sentido pejorativo do termo entre aspas.
     Pouco importa se a religião é a favor ou contra o aborto, (em geral são contra), mas há milhões de abortos sendo feitos no Brasil de forma precária, improvisada e imunda. Sem contar as crianças encontradas em latas de lixo, caixas de sapato. Ao que é da religião a religião, ao que é da República a República. 
     Não se pode aceitar fatos como o da última eleição pra presidente no Brasil, vencida pela atual presidente Dilma Rousseff, em que a posição liberal quanto ao aborto da presidenta foi adulterada para atender a áreas conservadoras do poder. Entenda conservadoras como religiosas.
     Também não pensem que eu seja tão ignorante a ponto de achar que tudo isso é tão simples assim, é claro que eu sei que as diversas Igrejas querem poder, que a discussão sobre a influência das massas vai além de crenças, que a educação formal está repleta de intervenções absurdas, inclusive por parte de professores que preferem ensinar suas crenças a seguir o conteúdo programático, se apoiando em algo chamado liberdade de cátedra, quando utilizam esta cátedra para cooptar pensamentos para ideologias e religiões próprias.
     Isso não acontece apenas no Brasil, mas no mundo inteiro. Acho que é a globalização.
     As igrejas sempre vão se intrometer nas questões do Estado, nenhum liberalzinho se incomoda quando esta intromissão é um feriado santo como o de Corpus Christ, mas fica todo emputecido quando o Papa diz que é contra a camisinha.
     Minha solução é bem simples: o Papa que não use camisinha e diga pra ninguém usar, mas que os países da África façam com o Vaticano o que o Vaticano faz com os países africanos - ignore. E nós também.
     O que não dá pra ignorar é a intervenção religiosa no Estado brasileiro, há casos de grupos evangélicos que invadiram escolas proibindo a leitura de livros do Monteiro Lobato - por conter magia; de Jorge Amado - pelo conteúdo sexual; Darwin - por negar o criacionismo. Onde chegaremos? Vão proibir a leitura de Machado de Assis por ele ser chamado de Bruxo do Cosme Velho e ter conteúdo esotérico?
     Quanto estas crianças estão perdendo. Quanto todos perdemos?
     Podem contestar se quiserem, não estou falando a respeito de crenças, dogmas ou sacramentos. Falo da participação religiosa nas decisões do Estado. Quanto menor for esta participação, maior é a evolução social e bem estar das comunidades ao redor do globo.
     O século XX foi um dos séculos em que a Igreja menos interferiu nestas decisões, pelo menos abertamente. E foi algo bom, ou alguém aqui prefere viver como se vivia nos idos de 1800?
         De quem foi a culpa pelos avanços científicos? Das religiões?
     Agora, achar que a homofobia é culpa do Papa? Homofobia é falta de educação formal, de leitura, de educação em casa e de  respeito. Isso não se combate indo contra as Igrejas, mas indo a favor das escolas, faculdades, centros culturais e de ensino.
       Em lugares assim aprendi a ser a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo, ser favorável às decisões da mulher em relação ao próprio corpo, aprendi a respeitar ateus, católicos, evangélicos (religiosos verdadeiros, pessoas de fé que respeitam as pessoas de dúvidas como eu). 
     Lendo aprendi a diferença entre aceitar, conviver e tolerar. E sei que num mundo autista como o nosso palavras assim fazem a diferença, mas atitudes fazem muito mais. Sei da importância dos valores morais que só as religiões possuem, são fundamentais em nosso mundo.
     Se você não acredita assim, tudo bem. Eu sou um liberal, por mim você pode acreditar no que quiser que eu respeito.

Mauro Marcel  

Drops Rock 13- Paul está morto e todos se uniram pra esconder...



Rubber soul - olhando um cadáver?



Abbey Road - cortejo fúnebre?











Por que neste disco não há fotos dos Beatles?

Aqui, além de não haver fotos há máscaras nos rostos.












     

          Há muito mais especulações além do que foi dito. Fique à vontade pra especular, inventar, criar mitologias, e compartilhá-las conosco.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Montanha russa, Maiakovski e Zangief

    
     Acabei de ler um livro chamado "Mil e um filmes pra ver antes de morrer", (mentira, já li  faz algum tempo), com este vem uma coleção de outras mil e uma coisas pra se fazer antes de bater as caçoletas: mil e um livros pra ler, mil e um lugares pra conhecer, mil e uma músicas pra ouvir, mil e um discos, mil e um vinhos, mil e uma cervejas...
     Alguns poderiam perguntar o porquê do número mil e um, talvez por indicar imponência, exagero, ou uma vida completa. Completa?
     Aprendi muito sobre cinema com o livro "Mil e um filmes...", assim como aprenderia muito com o dos outros temas, o que me incomoda nesta história não é o número, mas a imposição, afinal, devemos fazer tudo isso antes de morrer.
     Lembro-me de um velho ditado que dizia que um homem só estaria com a vida completa após escrever um livro, plantar uma árvore e ter um filho. A receita da vida ideal. 
     E a mulher como seria? 
     Tenho medo de receitas prontas por isso me indisponho quando alguém tem a fórmula da felicidade.
     E ela está em todos os lugares, sempre com algo que temos que comprar e comprar e comprar. Cada vez mais. Ao infinito.
     Quando vejo a coleção de livros citada eu não penso em mil e uma possibilidades, mil e uma experiências, penso em mil e uma tranqueiras que querem me vender. Sempre meu dinheiro ganhado cada vez com mais suor e sendo direcionado para a felicidade eterna, o fim desejado, quando completar a lista das coisas que preciso ver, ler, conhecer, comprar...
     Também há um programa num canal imbecil denominado "Coisas pra fazer antes dos trinta". Já devem imaginar do que se trata. Ou não, pra mim pouco importa. 
     Quem deu a um programa de TV a decisão sobre o que deve ser feito de minha vida antes ou depois de trinta, quarenta ou cinquenta?
     Sempre a idolatria à juventude, velhos que se orgulham de serem jovens, quando todos sabemos que os velhos têm que se orgulhar é de não serem mais idiotas como os mais jovens. 
    Mas o que se vê é aquele velhinho andando de montanha russa pra mostrar que não perdeu a juventude dentro de si, quando deveria (nessa altura da vida) questionar os motivos que levam uma pessoa a se divertir com tamanha futilidade. 
     Ou até mesmo pular de paraquedas, mas por outras razões: as corretas; outros motivos: os errados. 
     Quais motivos levam uma avó a querer se lipoaspirar pra parecer com a netinha e caber naquela mini saia?
     Estou sendo ranzinza? Sempre fui conhecido por isso. 
     Você pode estar se perguntando sobre o que é este texto, afinal os assuntos vão se misturando, se avolumando. 
     Quero falar de vida e experiências. 
     Quando se é pautado num catálogo, mesmo que este catálogo não seja o impresso como os que citei no primeiro parágrafo, a vida vira uma bosta.
     Estou falando das listas que nos aprisionam,  nos fazem viver uma realidade que não é nossa, nos empurrando pra uma enxurrada de consumismo, alienação, perdas, futilidades, todas muito bem fundamentadas e justificadas com  o argumento de que precisamos manter nossa jovialidade, morrer é pra velhos e ninguém quer este peso, nem eu, nem você, nem o Caetano. 
     Porque velho no Brasil é sinônimo de moribundo. Num país que trata mal a todos e reserva aos seus patriarcas a marginalidade da marginalidade da marginalidade. Porque é sabido que os jovens pertencem à faixa etária que mais consome, se não há como ampliar a vida, amplia-se a juventude, mesmo que fraudulentamente.
     Mas poderíamos ser o avesso do avesso do avesso. 
   Houve uma época em que os grandes mestres da humanidade eram escritores como Oscar Wilde, Leon Tolstói, Vladimir Maiakovski, Machado de Assis, Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Gertrud Stein; filósofos como Sócrates e Kant; compositores como Mozart e Stravinsk; dramaturgos como Shakespeare e Beckett.
     Hoje os grandes mestres da humanidade são produzidos em série pela mídia que os constroem e os reconstroem infinitamente. A Ana maria Braga é o guru de muitos, a Oprah de outros tantos; assim como Diogo Mainardi, J. K. Rowling, Stephenie Meyer, Paulo Coelho, Zíbia Gaspareto. E sei lá... Quentin Tarantino, P. C. Siqueira,  Bento XVI...
     Não sou saudosista, mas lembro que na minha infância havia uma coleção de cadernos com capas estampadas com personalidades como Einstein, Freud, Graciliano Ramos. Qual a imagem que estampa os cadernos nas escolas hoje em dia?
     O problema de viver uma vida que não é nossa é que só percebemos quando é tarde demais "E não se engane não, tem uma só/Duas mesmo que é bom/Ninguém vai me dizer que tem/Sem provar muito bem provado/Com certidão passada em cartório do céu/E assinado embaixo: Deus/E com firma reconhecida!" (Vinícius de Moraes)
    É engraçado como algumas pessoas têm as receitas da felicidade, ensinando como fazer viagens, emagrecer, estudar, viajar, comer, rezar e amar. Tudo isso desde que compre o livro, assista o filme, veja o programa, consuma, consuma, consuma.
     Mas não é tão simples, ninguém vai se isolar no alto do Tibet abrindo mão desta sociedade imbecil e infantilizada. Ainda somos aquela criança que precisa de atenção pra se sentir amada, mesmo que para isso tenhamos que mentir com os milhares de amigos virtuais, as centenas de filmes assistidos e não pensados, os livros com argumento fraco e parcelado em três para o editor, o escritor e o lojista lucrarem seis vezes mais, as músicas fora de contexto, os museus que visitamos mundo afora mas que não compreendemos porque está tudo muito rápido.
     O Bruno de Luca falou que a gente precisa conhecer aquele boteco em Madri porque ele é excepcional, e vou ficar com vergonha de dizer que achei uma droga porque gastei muito dinheiro lá. E dinheiro compra até opinião, ninguém vai falar que não gostou de um prato se pagou mil reais pra comê-lo.     
     Ou as velhas parábolas de pessoas que fizeram caminhos sagrados percorridos por grandes mestres e que voltaram infelizes pra casa porque aqueles não eras seus caminhos, mas os caminhos de outros, percorridos em outros momentos. 
     E mais do óbvio: o que faz a felicidade de um jamais fará - igualmente - a felicidade de outro. 
     Então, que se danem os conselhos, as listas. Estejamos todos soltos. E sem vergonha de se divertir num show do Justin Bieber, porque a opinião corrente é a de que ele é uma droga.
     Já me diverti muito mais assistindo "Curtindo a vida adoidado" que contemplando aos filmes do Godard, já senti muita vergonha em declarar isto, nem sou tão velho pra começar a não me importar com a opinião dos outros, o problema é que os outros são tão infantis.
     
     Até os potencialmente intelectuais - hoje chamados de geek: capitalizaram o pensamento, subornaram o cérebro, pagaram com mil e um games, mil e um sites e mil e outros tantos desejos pra comprar fazendo a roda do capitalismo girar.
     Houve um tempo em que intelectual era quem lia, estudava, discutia o sentido da vida. Hoje intelectual é quem joga RPG, faz final no Street Fighter com o Zangief e discute o último episódio do The Big Bang Theory.
     A realidade, pelo menos pra mim é uma só: nem tudo precisa ser divertido e quase nada é.

domingo, 27 de janeiro de 2013


http://asboasdosantanna.blogspot.com.br/2013/01/cade-minha-luz.html

O belo traço de Fábio Sant'Anna...
Eu não tenho ideias sobre o que fazer quanto ao apagão, apenas sobre o que fazer com as luzes apagadas.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Passamento


meu pensamento
pensa e passa
passa
e
pensa
pensamento passa
passa
pensa
passa
pesa e posa
pousa
pensa e poupa
passa passa
passamento

As Boas do Sant'Anna - um blog especializado em generalidades: O Máximo

As Boas do Sant'Anna - um blog especializado em generalidades: O Máximo:    Naquele dia de céu puro o camarada decidiu levar sua namorada para passear. Mas seria um dia muitíssimo especial. Nosso amigo convida...

amor


o amor
é a aceitação
de alguém
mais que a si
além de si
transfigurando a si
em dó,
ré, mi