Mostrando postagens com marcador ENEM. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ENEM. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 1 de junho de 2021

Redação nota 1000

            


              Há muitos anos trabalho com estudantes da Rede Estadual de São Paulo, quase sempre com alunos do Ensino Médio e quando os vejo se aproximando do fim deste ciclo, em muitos percebo a preocupação com os resultados que obterão no Exame Nacional do Ensino Médio – o ENEM.

Como sou professor de língua portuguesa, a redação se torna constante tema de aulas e conversas e muito escuto sobre a tal nota mil que “alguém conseguiu, foi um amigo do amigo de um amigo”, ou mesmo “um canal que vi na internet e dá dicas muito boas, você precisa conhecer, professor”.

            Sempre estar aberto a todas as fontes de informação já é uma dica, inclusive de quem passou pela experiência do ENEM e conseguiu a nota máxima, mas como opinião pessoal, ao me debruçar sobre os números, os constantes resultados do exame, ano após ano devo alertar ao vestibulando que é muito mais fácil escorregar e tirar zero que conseguir a nota máxima.

Portanto, mais do que buscar a perfeição, e ela tem que ser buscada, o estudante deve exercitar a leitura, a reescrita e a busca por repertório cultural.

Alunos da Rede Estadual Paulista conquistaram notas superiores a 950, mesmo em meio à pandemia. Estão de parabéns. Conquistar estas notas não são fruto do acaso, mas do resultado de um trabalho contínuo, fruto de muito esforço e dedicação.

Eis algumas dicas que ajudarão a melhorar a sua nota na redação do ENEM:

 

·         O ENEM pede o texto dissertativo argumentativo. É importante aprender a estrutura: tese, argumentos, proposta de intervenção;

·         Leia redações dos anos anteriores que conseguiram a nota máxima. Reescreva-as, percebendo o tamanho do texto em uma folha de caderno. O mais importante não é o tamanho, mas o conteúdo, é importante entender que a redação deverá ser um texto de fôlego e com certa profundidade, isto não se dá em meia dúzia de linhas;

·         Ao ler a proposta, busque compreender objetivamente o que se pede. Muita atenção: a proposta não é apenas o seu título, mas todos os textos motivadores preparados para o seu desenvolvimento;

·         Se posicione claramente frente ao tema, não fuja do assunto;

·         Use conectivos entre os períodos e interconectando os parágrafos (porém, contudo, desta forma, deste modo, assim, entretanto, no entanto, são alguns exemplos);

·         Os argumentos têm que sustentar a sua opinião (a sua tese), portanto devem servir de suporte para convencer o leitor de que a sua opinião é válida. Exemplos da vida pessoal nunca são uma boa ideia, dê preferência a pesquisas, escritores, autoridades ligadas ao assunto, exemplos de causa e consequência;

·         Muita leitura é importante neste ponto. Ter um repertório cultural que ajude a argumentar independentemente do tema é muito mais válido que decorar citações e tentar encaixá-las transformando seu texto numa espécie de colcha de retalhos. Funcionou com alguém uma vez? Pode ser. Funciona na maioria das vezes, não mesmo;

·         Um dos critérios de avaliação da redação do ENEM é a proposta de intervenção. Evite ser vago, busque objetividade na proposta, assim como em todo o texto, mas neste ponto procure explicar como, quem, o quê, de que forma a sua intervenção se desenvolveria se aplicada ao problema levantado no exame;

·         Ler bastante e bons livros ajuda não apenas a adquirir repertório, mas também a evitar escrever as palavras incorretamente. Os erros ortográficos retiram muitos pontos. Ler os clássicos da literatura também colaboram com isso.

·         Escrever não é um ato puramente intelectual, é quase uma atividade braçal, você precisa escrever, escrever, escrever e escrever. Estudar muito e ir além. Ofereça seus textos para que outras pessoas leiam: seu professor, família, colegas de turma, num blog, por exemplo. Perceba que a preocupação com o ponto de vista dos leitores o auxiliarão a buscar melhorias. Crie uma rede de leitores, lendo você também as redações dos seus amigos, debatam os temas e os pontos de vista uns dos outros. Escrevendo tanto, no momento da prova oficial o seu texto será apenas mais um dos tantos que já escreveu. Será muito mais tranquilo, não totalmente simples, porém você saberá no fundo do coração que fez o bom trabalho e que sua nota será o resultado de um processo que começou com leitura, apropriação do gênero, escritas, reescrita, além é claro, muito aprendizado.

                                                                          Mauro Marcel

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Dissertações argumentativas: Lei da palmada


      Quando o Estado deve interferir. 
         Há muito se dizia que dentro de sua casa o homem é rei, e sabendo historicamente o que um rei pode fazer a seus súditos, é de pensar se esta máxima ainda é válida na sociedade em que o absolutismo está há muito ultrapassado. O estado deve interferir sim quando os pais abusam de suas prerrogativas paternas e agridem física e moralmente seus filhos.

      A constituição federal prevê que o Estado tem o monopólio da violência, isto é, apenas as autoridades representativas eleitas pelo voto podem decidir se uma pessoa pode ser ou não agredida, em resposta a um assalto com troca de tiros por exemplo. Ou numa passeata em que os Black Blocks saiam da linha. Nos dois casos citados seriam respostas violentas a comportamentos violentos e o Estado responde por isso, daí mídia, juristas, sociedade civil e outras formas de controle poderem avaliar se as respostas foram exageradas ou não.
      Também é importante ressaltar que os pais são o principal modelo para os filhos, daí que cada atitude tomada será ostensivamente copiada sabendo que o ser humano aprende por repetição, ora, comportamentos violentos gerarão mais comportamentos violentos, porque desenvolve-se uma cultura na qual se acredita que é correto a agressão para educação. Isto não pode acontecer, pois já passamos há muito desta fase. Ninguém mais aceitaria palmatórias em salas de aula, puxões de orelha, guilhotina como forma de punição a traidores políticos, apedrejamento a prostitutas e muitos outros castigos aceitáveis em outros tempos, mas que devem ser abolidos conforme a sociedade avança em conhecimento e sabedoria.
     Os partidários da visão reacionária que prega que os filhos devem ser surrados alegam que é cultural, chegam a citar a bíblia para fundamentar seus argumentos, porém um livro escrito há tanto tempo não pode servir de base para tudo o que é feito hoje, lembrando que a bíblia diz que não se deve comer carne de porco, que o homem deve assumir a esposa do irmão em caso de sua morte e outros costumes que ficaram para trás.
     Assim o Estado, através de suas instituições: Conselho Tutelar, escolas, polícia, saúde pública. Deve adentrar a escala privada sempre que houver abuso aos que precisam. As crianças devem ser protegidas, inclusive de seus próprios pais, quando estes não zelarem pelo bem estar físico e psicológico de seus filhos e os pais devem ser orientados através de uma política educacional de Estado que vise a real qualificação do poder paterno, sem surras, sem palmadas, mas com firmeza, carinho e amor.

Por Mauro Marcel

domingo, 24 de março de 2013

Miojo, Palmeiras e ENEM

     
          Durante muito tempo falo para meus alunos (sou professor de Língua Portuguesa), falo pra eles sobre a importância de participarem do Exame Nacional do Ensino Médio e todo ano tenho que batalhar com o massacre que a mídia realiza contra a prova, que não valia pra nada até os primórdios dos anos 2000, mas que tornou-se de fundamental importância para qualquer brasileiro que tenha pretensões de estudar e não pagar por isso em nível superior.
         Primeiramente é fundamental ressaltar que o Estado deveria fornecer Educação (com E maiúsculo) para todas as pessoas que assim o queiram. Porque está na constituição, porque é um direito e porque um povo com acesso a educação é mais sabedor de um monte de coisas e por aí vai.
          Depois é também fundamental dizer que no mundo inteiro, não só no Brasil, apenas as melhores cabeças estão nas melhores faculdades, e não é discriminatório quando dizemos que nem todos estão interessados em aprender, algumas pessoas simplesmente não querem estudar numa universidade.
          Mas a questão não é o querer, é a oferta. Deveria ser oferecido a todos os que assim quisessem o direito a estudar, sem arcar com qualquer pagamento, em qualquer nível. Pelo menos no Brasil, país pouco afeito historicamente a livros, universidades, escolas. 
          O estado brasileiro tem uma dívida gigantesca com seu povo e isso se reflete em Tiriricas, Calheiros, ACMs, Bocas da garrafa, Zorras totais e muito mais.
          O ENEM é a prova que iguala as condições de acesso ao Ensino Superior gratuito, em universidades públicas federais ou particulares. 
      Podemos questionar todo um sistema que possibilita que faculdades fundo de quintal formem enfermeiros que injetarão café com leite na veia de senhoras doentes, ou que aceitem que os alunos hostilizem uma aluna apenas por esta usar um vestido por demais curto (mesmo que este tenha sido um bom negócio pra aluna no futuro).
          O que não podemos questionar é que através do ENEM milhões de alunos estão estudando, se graduando e se capacitando para um futuro melhor. E muitos deles em Universidades Federais (também com U e F maiúsculos). 
          Apenas quando passou a valer como acesso a universidades realmente de valor, começaram os achincalhes: 
*primeiro roubaram a prova;
*depois com cem ou cento e cinquenta cadernos de questões com problemas de impressão num universo de seis milhões; 
*mais a frente com um professor de uma escola particular roubando questões e repassando aos "seus" alunos; 
*este ano com Miojo e  hino do Palmeiras na redação.
          Tenho milhões de críticas ao governo federal, e muitas à falta de acesso à Educação de qualidade, mas acredito que o Exame Nacional do Ensino Médio é a melhor coisa que aconteceu à Educação brasileira nos últimos dez anos. 
          Muito melhor que a farsa da universalização do ensino, muito mais inclusor social que Bolsa Família ou qualquer outro projeto de distribuição de renda.
          Quem perde com o ENEM? Cursinhos particulares que cobram uma fortuna por mês para treinar alunos a passarem em uma prova que tem a função de excluir e massacrar com questões que perpetuam a decoreba, o acúmulo de entulho intelectual que será todo esquecido ao final do processo, ou até passar.
          Estes cursinhos colocam a fotinha dos aprovados em vestibulares em enormes outdoors e não noticiam que alguns ficam estudando nestes cursos bizarros por até cinco anos atrás de uma vaga de medicina. Alunos que entram em depressão porque gastam quase mil reais por mês e não conseguem fazer o impossível: decorar, decorar, decorar...
          No ENEM há fórmulas, mas estas fórmulas se esvaem quando o que existe é a valorização do aprendizado. Uma prova basicamente de leitura que tenta aproveitar todo o conhecimento adquirido do aluno como pré-requisito para o acesso a um curso superior em Federais do país inteiro. 
          É claro que quase duzentas questões mais uma redação não podem avaliar sozinhas a capacidade de um ser humano, mas é muito melhor que o sistema de indicação e entrevistas estadunidense, por exemplo. 
          Todo ano há denúncias de fraudes no sistema dos Estados Unidos, mas ninguém questiona o Estado ou a política educacional, questionam os imbecis que fraudam, que buscam privilégios, que procuram fazer da educação um balcão para seus negócios escusos.
          Engraçado que na ocasião do roubo da prova do ENEM o jornal procurado para a denúncia foi um jornal panfletário, conhecido apoiador do governo tucano paulista. Não estou insinuando nada. Ou estou?
          O fato é que participando do ENEM o aluno não precisa acertar tudo; de acordo com a avaliação ele poderá estudar até em universidades concorridas, lugares que até então de acesso restrito aos ricos. Os mesmo ricos que controlam os meios de comunicação, os mesmos meios de comunicação que dão tanta ênfase a boatos e pseudo-notícias: num universo de seis milhões de provas, três redações não são nada. E outra coisa, nos critérios de avaliação estão postos o que será considerado válido e o que excluirá a redação: 
         "Uma redação poderá ter a nota máxima mesmo tendo erros ortográficos", você que está criticando este fato, leu a apostila que o governo distribuiu com os critérios avaliativos?
         "A redação do ENEM será anulada apenas se tiver menos números de linhas que o indicado", ou "se atentar contra os direitos humanos". É claro que torcer pelo Palmeiras, hoje em dia, está além dos direitos humanos, mas isso não anula nenhuma redação do ENEM. Talvez de algum outro vestibular, não do Exame Nacional do Ensino Médio.
          Os jornalistas que pensam que têm o monopólio da opinião e nem sabem escrever um simples texto, não saberiam se posicionar em relação ao assunto, estão acostumados a cobrir o novo penteado do cachorro da Ana Maria Braga e pensam que estão fazendo uma crítica inteligente, criticando uma das poucas medidas, de fato, inteligentes, do governo federal.
          Contra os fatos não há refutação: conheço pessoas inteligentíssimas que nunca tiveram condições de frequentar a escola oficial obrigatória até o fim, fizeram o ENEM, foram aprovadas e estudam em Universidades Federais. Pessoas que jamais poderiam pagar, fizeram o ENEM e estudam em Universidades Particulares, algumas boas, algumas ruins, mas aí é onde deveria estar a crítica, no cômodo, não porta de entrada.
          Também conheço alguns riquinhos malditos que se sentem enojados com a presença de pobres ao seu lado em universidades, até então, de elite. Fazem barulho. São os alunos dos cursinhos particulares que fazem uma passeata com cem pessoas na Avenida Paulista contra o ENEM e tem a cobertura da mídia. 
          Já participei de passeatas com mais de cem mil pessoas na mesma Paulista e não houve nenhuma nota em jornal algum, quando noticiavam reduziam os cem a menos de cinco mil. Esta é a imprensa. O PIG - Partido da Imprensa Golpista. 
          Gente que jamais ficará satisfeita com a busca por igualdade social. O pobre pode estar na TV, no rádio, na cozinha fazendo a janta, na feijoada de quarta, mas nunca poderá estar sentado ao seu lado no banco da universidade.
          Daí as greves, daí o boicote à imagem do ENEM. Os meninos dos confins da periferia do fim do mundo não quererão sair de casa pra fazer uma prova que é uma fraude, mas a fraude é esta falsa opinião, que não é pública. Recomendo que leiam o livro "Chatô - o Rei do Brasil" de Fernando Morais, pra perceberem a quem compete a opinião de um jornal.
          E antes que alguém diga da minha posição petista, quero dizer que estou falando de educação, divisão de renda, revolução pelas mentes. Lembro que uma vez falei que queria fazer uma revolução na escola através de aprendizado, cultura e formação. Uma professora riu da minha cara. Pra gente assim ou pensa igual ou não é pensador. Patrulhas ideológicas.
          Difícil mudar o mundo sem as mentes, difícil mudar as mentes sem educação. O ENEM não é a solução, mas é uma das portas para esta. Destruir sua imagem, como  estão fazendo, é nocivo apenas para os jovens carentes que não tem acesso a uma segunda opinião e não tem outra forma de  entrada no Ensino Superior.
          Discorda do que digo? Faça o Exame em novembro, se inscreva no SISU, no ProUni e depois de cinco anos, formado, graduado e com um salário melhor me diga o que pensa a respeito.
          Ah é... Para ter acesso a alguns desses direitos você precisa ter estudado o Ensino Médio em escolas públicas. 
A redação do Miojo está boa, mas o desgraçado sacaneou ao final, como o ENEM avalia o todo e não a parte ela tirou 560.